O ex-presidente uruguaio Júlio Maria Sanguineti está preocupado com o ritmo de implantação do MERCOSUL, que, em sua avaliação, não está tendo o envolvimento popular que ele considera necessário para a consolidação do processo. "O intercâmbio comercial entre os países está bem avançado, mas é necessário aperfeiçoar a integração econômica e política", sugeriu. Ele encerrou ontem sua visita ao Brasil, onde veio contatar empresários, economistas e acadêmicos interessados em formar um grupo de trabalho não-governamental para acompanhar a implantação do MERCOSUL. Nos últimos dois dias ele levou suas preocupações ao presidente Itamar Franco e ao chanceler Fernando Henrique Cardoso e ao ministro da Fazenda, Eliseu Resende. Sanguineti acredita que na atual crise internacional, onde está presente a ameaça de uma guerra comercial entre Europa e EUA, o MERCOSUL adquire importância fundamental. Mas alerta que devem ser feitos estudos sobre as diferenças entre as economias dos quatro países que compõem o Mercado Comum do Cone Sul, para evitar que os atritos provoquem reações à unificação dos mercados. O ex-presidente prevê que os conflitos entre os produtores agrícolas tendem a crescer nos próximos anos (JB).