Representantes do Conselho Nacional de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CNDDPH), do Ministério da Justiça, ouviram ontem depoimentos de agricultores sem-terra que ocuparam a fazenda Santana, no Município de Campo Bonito (PR). Eles relataram torturas, humilhações e a execução sumária do lavrador Diniz Bento da Silva, o "Teixeirinha", morto por policiais militares no último dia oito. A mulher de "Teixeirinha", Tereza, e o filho Marcos, de 13 anos, disseram ter sofrido ameaças de morte e espancamento, inclusive com coronhadas. O ministro da Justiça, Maurício Corrêa, enviou representantes do Conselho ao Paraná, reconhecendo a existência de um "clima muito tenso na área". No início da semana passada, três integrantes do serviço secreto da PM foram mortos na fazenda e sete agricultores estão presos, acusados de participação no crime que teria sido liderado por "Teixeirinha". Antes de ir a área ocupada, os membros do Conselho visitaram os sete presos que estão na cadeia de Cascavel. Segundo o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcelo Lavene`re, os acusados denunciaram torturas e relataram outros fatos que não constam do processo. O sub-procurador geral da República, Álvaro Augusto Ribeiro Costa, afirmou que a integridade física dos presos será garantida pelo governo federal. Na porta da cadeia, familiares dos dos policiais mortos estão de plantão e promoveram uma manifestação para exigir a punição dos agricultores (O Globo).