O Protocolo 21, que regula o intercâmbio de veículos entre Brasil e Argentina dentro do MERCOSUL, está paralisado desde janeiro devido a diferenças de interpretação do Acordo de Complementação Econômica. A Argentina quer paridade de um por um nas trocas de carros e peças, enquanto o Brasil entende que o equilíbrio deve ser pelo valor global, ou seja, de todos os produtos, e não apenas do setor automotivo. Ano passado, os dois países deveriam trocar 25 mil carros, mas só o Brasil completou sua quota. A Argentina enviou apenas 12 mil veículos. Em 1992 o mercado argentino consumiu 330 mil veículos, mas a indústria local produziu só 260 mil e não conseguiu excedente para exportar. E para atender a demanda local as montadoras argentinas tiveram de importar do Brasil outros 100 mil carros, montados e desmontados. Em 1992 o déficit argentino nas trocas globais de carros e peças com o Brasil atingiu US$600 milhões. Como a paridade um por um é impossível devido a problemas de produção na Argentina, fontes do governo brasileiro interpretam as exigências como uma tentativa de diminuir o déficit comercial do país (US$2,9 bilhões em 1992). O protocolo de compra de petróleo argentino é o tipo da ação que a Argentina espera do Brasil, segundo analistas. Enquanto as diferenças não são resolvidas, todas as exportações de automóveis e peças brasileiras para a Argentina estão sendo taxadas em até 20%. O lado argentino, que ainda tem metade da quota de 1992 a cumprir (13 mil carros), continua enviando-os ao Brasil isentos de impostos (O ESP) (JC).