Depois de vencer uma licitação internacional, o Brasil pode perder seu lugar no consórcio que vai operar o satélite argentino Nahuel, que abrange os países do MERCOSUL e deve entrar em operação em junho de 1994. O próprio presidente da EMBRATEL, Renato Archer, encaminhou uma exposição de motivos ao ministro das Comunicações, Hugo Napoleão, desaconselhando a participação da empresa. A participação da EMBRATEL depende da aprovação do presidente Itamar Franco e do Congresso Nacional, o que tem de ocorrer até 19 de março. Em novembro, o governo argentino escolheu como vencedor da licitação o consórcio Unión Transitória de Empresas (UTE), integrado pelas empresas francesas Aerospatiale e Alcatel, pela alemã Deustsche Aerospace (DASA, do Grupo Daimler Benz), pela italiana Alenia e pela EMBRATEL. Do capital inicial de US$100 milhões, a EMBRATEL terá, no mínimo, 10%, podendo ampliar essa participação. Os investimentos previstos são da ordem de US$250 milhões. Esse consórcio está agora em vias de transformar-se na empresa Nahuelsat S.A., para poder implementar o projeto. É a participação da EMBRATEL nessa empresa que depende da aprovação do governo. A carta do presidente da EMBRATEL, repassada ao presidente Itamar Franco, minimiza as vantagens da participação da empresa estatal, fornece informações equivocadas e acaba desencorajando a aprovação governamental. Archer começa por afirmar que "o assunto foi conduzido inteiramente na gestão anterior"-- na qual o único ausente era ele mesmo. Nenhum dos diretores que trabalharam pela vitória da EMBRATEL na Argentina mudou de opinião. Noutro trecho, afirma, erroneamente, que a participação da empresa estaria condicionada à "cessão de disponibilidade de seu satélite Brasilsat B-2", o que não é verdade. Ao contrário, se autorizada pelo Congresso brasileiro, a EMBRATEL aproveitará a estrutura da Nahuelsat para exportar seus serviços para o Cone Sul. A exclusão da empresa do consórcio vencedor interessa diretamente à Panamsat, empresa privada que explora um satélite de comunicações na América do Sul, representada no Brasil pela Victori Internacional, do Grupo Globo. Interessaria também a outros grupos que pretendem disputar o mercado e ocupar num futuro próximo o mesmo espaço que a EMBRATEL acaba de conquistar na licitação (O ESP).