O ministro do Exército, general Zenildo Zoroastro de Lucena, disse ontem que a situação de miséria que o país atravessa é uma ameaça à democracia. Depois de assinar convênio com o Ministério do Bem-Estar Social, que garantirá a participação do Exército nos programas de apoio comunitário através das unidades de Tiro de Guerra, o general disse que o primeiro embate das Forças Armadas deve ser contra a miséria, origem da
72797 insegurança. Mas a atuação do Exército nesta área, segundo o ministro, não significa que devam ser abandonadas as medidas repressivas. "Eu não acho que pode haver convulsão, mas a insegurança começa na miséria. O primeiro embate tem que ser contra a miséria. Agora, é evidente que devemos estar sempre em condições de tomar aquelas medidas repressivas", disse. O agravamento da miséria e a ameaça à democracia foram incluídos na pauta de discussões no Clube Militar pelo grupo liderado pelo general da reserva Plínio Pitaliga, no último dia 10. O ministro do Exército acredita que, apesar da ameaça, é possível evitar a convulsão, combatendo suas causas. "Eu não acho provável a convulsão, porque estamos tentando combater as causas", afirmou. Devido ao alcance social dos Tiros de Guerra, o presidente Itamar Franco determinou que os Ministérios do Exército e do Bem-Estar Social trabalhassem juntos na implantação dessas organizações militares em pequenos municípios. Segundo Zenildo Zoroastro, os Tiros de Guerra formam reservistas de segunda categoria, evitando o êxodo rural dos jovens e colaborando em atividades cívicas, comunitárias e de defesa civil. O ministro do Bem-Estar Social, Jutahy Júnior, disse que as seis primeiras unidades de Tiros de Guerra começarão a ser construídas após a votação do Orçamento Geral da União. Os municípios beneficiados serão Jequitinhonha (MG), Jeremoabo (BA), Afogados da Ingazeira (PE), Pombal (PB), São Raimundo Nonato (PI) e Posse (GO). O Ministério do Bem-Estar Social fornecerá os recursos financeiros para a construção e o funcionamento das unidades militares. O Ministério do Exército vai fiscalizar todo o processo de implantação dos Tiros de Guerra, além de fornecer instrutores, armamentos e equipamentos (O Globo).