FIM DA GUERRA FRIA E A INDÚSTRIA BÉLICA

O Brasil, assim como outros dois países latino-americanos (Argentina e Chile), deverão enfrentar crescentes dificuldades no desenvolvimento de sua indústria bélica, depois da euforia dos anos 80, por causa de problemas econômicos e mudanças políticas da era do pós-guerra fria. É o que dis o Instituto Internacional de Pesquisas para a Paz (SIPRI), com sede em Estocolmo, em estudo divulgado ontem. A observação sobre o Brasil e outros países latino-americanos se insere no contexto de um trabalho mais amplo sobre o declínio acentuado da produção de armas em todo o mundo, causado pelo fim da guerra fria. É improvável que Brasil e Argentina possam aumentar ou até mesmo manter
72794 sua capacidade atual de produção de armamentos de suas fábricas, em sua
72794 maioria inativas, diz o estudo. No caso específico do Brasil, o relatório explica o declínio da produção de armas como resultado da evolução política do país, após duas décadas de regime militar. "Os mais recentes governos brasileiros estão ao que parece pouco inclinados a manter o nível de subsídios de que a indústria bélica desfrutou no passado", diz o estudo. No caso da Argentina e do Chile, segundo o SIPRI, a redução da produção de armamento e dos gastos militares podem ser interpretados como um elemento importante na transição de um regime militar para um governo civil. O SIPRI informa que o declínio da produção de armas no mundo causará, nos próximos cinco anos, uma redução de quatro milhões dos 15 milhões de empregos do setor bélico. Em Brasília (DF), o presidente Itamar Franco disse aos presidentes dos Clubes Militar, Naval e da Aeronáutica que deu sinal verde para a reativação do projeto do jato AMX, da EMBRAER, aquisição de três corvetas fabricadas nos EUA para a Marinha e de material bélico de guerra eletrônica para o Exército. Itamar prometeu também repor o poder aquisitivo dos militares (O ESP).