Os militares estão preocupados com a possibilidade de a crise econômica do país "ameaçar a paz social e provocar a instabilidade institucional". Em documento encaminhado ontem à assembléia extraordinária do Clube Militar, o grupo liderado pelo general da reserva Plínio Pitaluga adverte que os "drásticos cortes" no Orçamento da União das verbas destinadas às Forças Armadas, assim como o "aviltamento da remuneração" da tropa, comprometem a capacidade operacional das Forças Armadas para cumprir seus deveres constitucionais de garantir a lei e a ordem e, por isso, "colocam em perigo o regime democrático". A proposta do grupo era de que os sócios presentes à assembléia concedessem poderes ao presidente do Clube Militar, general Nilton Cerqueira, para negociar com o presidente Itamar Franco e com os ministros militares aumento dos soldos e recursos que garantam a profissionalização da tropa. Os cerca de 500 presentes à reunião deveriam aprovar ainda ontem que fosse conferida à assembléia caráter permanente. A medida visa a evitar o recolhimento de novas assinaturas-- no mínimo 200-- para a convocação de outra assembléia extraordinária. Um grupo mais radical queria que o presidente do Clube Militar concedesse o prazo de um mês para que o presidente e os ministros militares apresentassem uma solução para os problemas das Forças Armadas (O Globo) (O ESP).