RELATOR MANDOU ALTERAR ORÇAMENTO GERAL DA UNIÃO

A assessoria técnica de Orçamento e Fiscalização Financeira abriu baterias contra o relator da Comissão de Orçamento, senador Mansueto de Lavor (PMDB-PE), que a acusou de ser responsável por alterações de última hora no relatório consolidado que será votado esta semana na comissão. Com cópias de documentos com anotações do próprio punho de Mansueto, a assessoria comprovou que as mudanças foram ordenadas pelo próprio relator. Mansueto, em carta enviada ao presidente da comissão, deputado Messias Góis (PFL-SE), no último dia dois, disse que o relatório apresentava falhas de digitação e omissão, cuja responsabilidade atribuiu à assessoria técnica. Funcionários da Câmara acreditam que as críticas de Mansueto ao trabalho da assessoria técnica tinham o objetivo de achar um bode expiatório para as críticas que inevitavelmente desabarão sobre o relatório por causa de suas concessões ao fisologismo e aos interesses das grandes empreiteiras. Ao desmoralizar o trabalho da assessoria técnica, a carta de Mansueto abriria caminho para marginalizá-la no orçamento do ano que vem, contratando técnicos mais sensíveis às pressões dos grandes grupos. Mansueto havia determinado um corte linear de 15% na destinação de verbas do Ministério da Integração Regional a Minas Gerais, mas voltou atrás em alguns casos após a entrega do orçamento à comissão. Assim, corrigiu "a posteriori", a verba de Cr$1,7 bilhão que destinara às obras de infra- estrutura básica em Santa Bárbara para Cr$2 bilhões, a preços de abril do ano passado. A pavimentação do acesso ao parque balneário de Congonhas também foi aumentada de Cr$1,5 bilhão para Cr$2 bilhões e a construção e pavimentação da rodovia MG-25, à qual destinara Cr$2 bilhões, foi reajustada para Cr$4 bilhões. Para fazer o aditamento ao relatório final, Mansueto jogou a culpa nos técnicos da assessoria (JB).