O Brasil está dividindo as atenções internacionais com a Botsuana (país pobre do sul da África). É aqui que se concentram os piores índices de disparidade interna de renda per capita entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres. O abismo entre estes dois extremos é alarmante: os privilegiados ganham 2.700% mais que os pobres e a diferença entre a renda média per capita é de US$631 contra US$17.258. Na Botsuana, a renda per capita dos 20% mais pobres é de US$515, contra US$12.177,3 dos 20% mais ricos. A economista do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Maria Cecília Prates Rodrigues, constatou em recente estudo publicado pela revista "Conjuntura Econômica" que o Brasil está andando em péssima companhia. Lançando mão de dados levantados pelo Banco Mundial (BIRD), a economista chegou à conclusão de que, enquanto no Brasil os ricos ganham 27,3 vezes mais que os pobres, em países desenvolvidos da Europa esta relação cai para 5,7, no caso da Alemanha, e para 4,6 na Suécia. Na Botsuana essa relação é de 23,6 vezes. Já os EUA têm concentração de renda maior: os 20% mais ricos ganham 8,9 vezes mais que os 20% mais pobres. No Japão a distância entre a base da pirâmede social e o topo é ainda menor: os "kanemocte" (os japoneses ricos) ganham 4,3 mais que os "pinpo" (japoneses pobres). A renda média dos ricos do Nordeste (US$9.325) supera em 35% o limite inferior da distribuição de renda dos ricos, de US$6.893. Já os ricos da região Centro-Oeste (com renda média de US$21.438) e do Sudeste (US$20.813) apresentam, segundo dados de 1990, um PIB per capita acima da média dos ricos do mundo, de US$20.273 (JB).