DECISÃO SOBRE OS SAQUES DO FGTS É ADIADA POR 15 DIAS

Governo, empresários e trabalhadores, reunidos ontem no Conselho Curador do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), não chegaram a uma conclusão sobre o problema das contas inativas, que hoje chegam a um total de US$4,1 bilhões e poderão ser sacadas a partir de maio. A solução foi adiada por 15 dias e novos dados, apresentados pelo Banco Central, aumentaram a preocupação do ministro do Trabalho, Walter Barelli: o saque integral dessas contas significaria injetar na economia o equivalente a 65% do dinheiro que hoje está em poder do público, o que representaria um grande impacto inflacionário. "O governo está querendo pagar, mas tem um grande problema de caixa e também de inflação", disse Barelli. Na reunião, além da criação de uma caderneta de poupança, da carta de crédito para pagar dívidas do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) e do certificado de privatização que permitiria a compra de ações de empresas a serem privatizadas, surgiram como alternativa ao saque no caso dos trabalhadores que estão empregados, a criação de certificados de depósito e a instituição de um fundo de pensão. Apresentado pelos empresários e rechaçado pelos trabalhadores, o certificado seria um título que poderia ser usado pelo trabalhador na compra de qualquer artigo (O Globo).