A HIDROVIA DO MERCOSUL

A Hidrovia Tietê-Paraná deverá atingir uma extensão navegável de aproximadamente 2.400 km até 1995. Inserida numa área com cerca de 76 milhões de hectares, onde são gerados quase a metade do PIB brasileiro, a Hidrovia Tietê-Paraná integra-se às ferrovias, rodovias e dutovias, formando um sistema intermodal de transporte de relevância para o MERCOSUL. A região que compõe o MERCOSUL é servida pelo sistema de navegação fluvial dos rios Paraná e Paraguai, compreendendo ao Sul as províncias de Buenos Aires, Neuquem, Bahia Blanca, Rosário, Mendonza e Cordoba, além de todo o Uruguai, e ao Norte, nas extensas regiões do Brasil Central, Triângulo Mineiro, Sul de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, além dos Estados do Paraná e São Paulo. Trata-se de uma região com 100 milhões de habitantes e uma renda per capita de US$4.600,00. Com a entrada em operação das eclusas de Jupiá e de Três Irmãos, localizadas no trecho brasileiro do Alto Paraná, restará apenas vencer o desnível de Itaipu para que as regiões produtoras e consumidoras de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e Paraná se liguem, através do rio Paraná, ao mercado da Argentina e Uruguai. A partir daí, empresários do Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia, disporão de uma rede de navegação fluvial de mais de sete mil quilômetros. Nesse sistema hidroviário poderão navegar comboios de até cinco mil toneladas de carga, gastando entre oito a 10 dias o percurso Buenos Aires-São Paulo. A COSIPA (Companhia Siderúrgica Paulista) e a Agência de Desenvolvimento Tietê-Paraná (ADTP) assinaram, no último dia dois, um acordo de cooperação mútua para viabilizar a integração da navegação comercial da Hidrovia Tietê-Paraná com o Terminal Marítimo da COSIPA. O objetivo é apresentá-la como canal de entrada e saída de produtos para o interior de São Paulo e região Centro-Oeste do país. A Hidrovia Tietê-Paraná começa a abrir também investimentos de empresas do setor agroindustrial, que buscam alternativas para reduzir custos no transporte de grãos do Centro-Oeste até os portos. Cerca de US$100 milhões já foram investidos na construção de silos, moageiras e armazéns, como apoio para o escoamento de grãos a partir do terminal de cargas de São Simão (GO), no rio Paranaíba, até Piracicaba (SP). A Comercial Quintella, grupo que exportou 3,5 milhões de toneladas de soja no ano passado, investiu US$8 milhões na construção de terminais em São Simão e Pederneiras (SP) e compra de chatas e empurradoras. De Pederneiras, a soja segue para o porto de Santos (SP) por ferrovia. O projeto, que entra em operação este mês, prevê o transporte também de milho (O ESP) (FSP).