Nada menos de 154 milhões de hectares de florestas-- o equivalente a quase 30% da Amazônia-- foram destruídos nas regiões tropicais da Terra entre 1981 e 1990. Se esse ritmo continuar, calcula-se que em pouco mais de um século não existirão mais florestas tropicais no planeta. Estes são os dados definitivos de um levantamento efetuado pela FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) em 90 países tropicais, entre os quais o Brasil, valendo-se das imagens de satélites de alta definição. Os novos dados substituem as informações provisórias que a FAO apresentou na Rio-92. O resultado desse estudo, divulgado ontem, confirma que nas regiões tropicais mantém-se o ritmo acelerado de desflorestamento registrado nos últimos 40 anos. As florestas tropicais têm importância crucial na regulação do clima mundial. De 1980 a 1990, o ritmo anual dos desmatamentos subiu de 11,4 milhões de hectares para 15,4 milhões de hectares. Em 1980, a superfície total de matas nas zonas tropicais era de 1,910 bilhão de hectares, contra 1,756 bilhão de hectares em 90 (ou 37% da superfície da Terra). A América Latina e o Caribe continuam a formar a maior cobertuda de mata tropical com 56% das florestas da Terra. Depois vêm a África com 527 milhões de hectares e a Ásia com 311 milhões de hectares. O desmatamento teve um aumento muito grande na Ásia (1,1%) e, em menor escala, na África (0,7%) e América Latina (também 0,7%). Segundo o estudo da FAO, o crescimento democráfico e a pobreza rural, com a consequente necessidade de novas terras para a agricultura, são apontados como responsáveis pela perda das florestas. Estes fatores estimulam a conversão anual de 10 milhões de hectares de florestas em terras de agricultura-- assim como estimulam a exploração das madeiras comercial e combustível, os frequentes incêndios e a proliferação de pastagens. Tornam-se, assim, quase inúteis os programas de reflorestamento, que na década de 80 repuseram 26,1 milhões de hectares nas regiões tropicais (21,1 milhões na Ásia; 3,7 milhões na América Latina e no Caribe; 1,3 milhão na África). A informação da FAO sobre a situação das florestas nos países e regiões mais industrializados é diversa, quase otimista. Os dados revelam que, somente na Europa, a área florestal aumentou de 137 milhões de hectares em 1981 para 149 milhões de hectares em 1990. As florestas do Primeiro Mundo representam cerca de 42% da superfície da terra (JB).