BRASIL TEM 8.886 ESCRAVOS

Um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre a exploração ilegal de trabalho escravo-- "escravidão branca"-- no mundo, inclui o Brasil entre os nove países onde foram detectados os problemas mais sérios relacionados ao assunto. O responsável pelo estudo, Max Kern, antecipou ontem os números de sua pesquisa que será divulgada no próximo dia 23. Ele listou 8.886 pessoas que vivem como escravos no país. Segundo Kern, 53 trabalhadores foram assassinados por pistoleiros no ano passado ao tentarem fugir de campos de trabalhos forçados. A conclusão da pesquisa é de que milhões de pessoas, inclusive crianças, vivem como escravos em todo o mundo. O Brasil figura no documento ao lado do Peru, do Haiti, da República Dominicana, da Tailândia, da Índia, do Paquistão, do Sudão e da Mauritânia. O governo brasileiro assinou um termo de compromisso conosco em 1986,
72730 prometendo suprimir todo tipo de trabalho escravo no país, mas isso ainsa
72730 parece longe de acontecer. Em setembro último criou-se um programa para a
72730 erradicação desse problema, mas não temos visto iniciativas
72730 substanciais, disse Kern. Segundo a OIT, milhares de pessoas no Brasil são ludibriadas pelos "gatos" (agenciadores de mão-de-obra que trabalham para os fazendeiros), que recrutam trabalhadores em comunidades pobres, prometendo bons salários. Essas pessoas são levadas a trabalhar a mais de 1.500 km de suas casas onde, então, descobrem que o pagamento é bem menor do que o prometido e que terão de pagar inclusive o seu transporte até lá. O relatório denuncia também a exploração de crianças que trabalham até 18 horas por dia. O Brasil está entre os países onde ocorre o que a OIT classifica de cativeiro da dívida. Mauritânia e Sudão são os únicos países em que a escravidão tradicional ainda existe de acordo com a OIT. No Sudão, um escravo adulto custa entre US$30 e US$60. A maior demanda é por meninos de até 12 anos, que podem custar US$70 ou mais. No Haiti, a forma predominante de escravidão é a de crianças entre seis e 12 anos, dadas pelas famílias a pessoas com dinheiro, a quem prestam serviços domésticos. A OIT acusa 100 mil casos de "restaveks", o termo que designa essas crianças, que não têm salário, vivem fora da casa principal, recebem comida inferior e, às vezes, são punidas com castigos corporais e abusos sexuais. Na Tailândia, crianças são vendidas para trabalhar em fábricas, restaurantes, casas de família, mas sobretudo em bordéis. No Paquistão, a OIT calcula que 20 milhões estejam submetidos ao "cativeiro da dívida". Na Índia, o número chega a 15 milhões (O Globo) (FSP).