POLICIAIS ACUSADOS PELO MASSACRE SÃO TRANSFERIDOS

O massacre na Casa de Detenção de São Paulo provocou ontem um remanejamento sem precedentes na Polícia Militar paulista. Os 120 policiais, entre eles 42 oficiais, denunciados pelo Ministério Público Estadual por envolvimento no episódio, que terminou com a morte de 111 presos, foram transferidos de unidade. Dos oficiais, cinco tiveram posição de comando durante o massacre e passarão a exercer cargos burocráticos no Estado-Maior da corporação. O remanejamento foi anunciado pelo secretário de Segurança de São Paulo, Michel Temer, como "atitude de cautela, prudência administrativa". A medida não atingiu o comandante geral da operação, coronel Ubiratan Guimarães, que já entrou para a reserva. Os outros cinco oficiais com posição de comando haviam sido afastados de suas atividades pelo ex-secretário de Segurança Pedro Ernesto de Campos, e acabaram beneficiados com a volta à ativa. Tomada por Temer após reunião com o novo comandante da PM, coronel João Sidney de Almeida, a decisão foi criticada pelo deputado estadual Elói Pietá (PT), para quem todos os denunciados deveriam ser afastados de funções de comando ou de policiamento de rua. "Transferi-los significa levar para outras unidades a filosofia de extermínio sumário de seus grupos originais", afirmou o deputado. O juiz auditor Paulo Antônio Prazak, da 1a. Auditoria do Tribunal de Justiça Militar), aceitou ontem a denúncia da promotoria contra os 120 policiais militares envolvidos no massacre do Carandiru. O juiz também determinou o indiciamento imediato de todos os acusados, que agora se tornaram réus do processo militar instaurado pelo juiz (O Globo) (FSP).