MULHERES FESTEJAM E PROTESTAM NO SEU DIA

Uma passeata marcou, no Rio de Janeiro (capital), o Dia Internacional da Mulher. Faixa levada por mulheres parlamentares dizia: "Somos metade da população; queremos metade do poder". Em Porto Alegre (RS) houve desvile de cavalarias, numa homenagem à heroína Anita Garibaldi. Em Brasília (DF) a ministra do Planejamento, Yeda Crusius, presidiu as comemorações. Em São Paulo (capital), a data foi marcada por um ato em frente ao Teatro Municipal, que reuniu cerca de 100 pessoas. A manifestação teve como objetivo principal denunciar mais uma vez a "discriminação contra a mulher em todos os setores da sociedade". No Amazonas, o Dia da Mulher passou em branco: dos 1,38 milhão de habitantes, 111,2 mulheres (de um total de 623,6 mil com mais de cinco anos) são analfabetas. As mulheres correspondem a 38% das 555,17 mil pessoas que compõem a população economicamente ativa do estado. Os dados são da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 1989. Em Belo Horizonte (MG), a ministra da Administração Federal, Luiza Erundina, recebeu das feministas um documento-- já entregue ao corregedor de Justiça, Sérgio Santiago-- pedindo a aceleração e revisão em dezenas de processos. Somente no ano passado foram registradas 22.332 crimes contra mulheres e 215 delas foram mortas, na maioria por companheiros ciumentos. Na Universidade de São Paulo (USP) foi realizado um seminário sobre a descriminalização do aborto no país. A prática do aborto clandestino mata por ano cerca de 400 mil mulheres no país. O abordo é praticado seis milhões de vezes por ano no Brasil. Da forma como está descrita hoje no Código Penal, desde 1940, a prática de aborto é crime. "Essa proibição é uma grave forma de violência contra a mulher", disse durante o encontro a promotora Luiza Nagib Eluf, da comissão do Ministério da Justiça que prepara o novo Código Penal. "A questão ainda encontra sérias restrições dentro da Igreja Católica, mas sou da opinião de que não é a Igreja quem tem de legislar", disse. Na reformulação do Código, Luiza pretende que, além dos casos já previstos por lei (quando a mulher foi estuprada ou corre risco de vida), o aborto seja permitido por solicitação da gestante até o terceiro mês de gravidez, a exemplo do que já ocorre em vários países. A senadora Eva Blay (PSDB-SP) qualificou de "verdadeiro absurdo" o que é feito com as mulheres pobres que se submetem ao aborto clandestino, em geral feito em precárias condições de higiene. "Só no Estado de São Paulo, 11% das mortes maternas são decorrentes de abortos mal feitos", afirmou. De acordo com a senadora, 60% dos leitos hospitalares das clínicas ginecológicas de hospitais públicos são ocupados em SP por mulheres com sequelas da interrupção da gravidez (O ESP) (JB).