O ministro da Fazenda, Eliseu Resende, vai apresentar hoje no Senado Federal medidas de reativação da economia contra a recessão e as linhas gerais de seu plano de combate à inflação. Não será um pacote pronto, mas propostas destinadas a acalmar tanto o mercado como os senadores, que anunciam, desde a semana passada, a intenção de fazer ataques duros ao novo ministro. Resende defenderá uma maior eficiência na gerência da máquina pública, com destaque para o combate à sonegação. O plano de estabilização da economia que o ministro Eliseu Resende está preparando será divulgado antes do plebiscito do dia 21 de abril. A informação foi dada pelo próprio presidente Itamar Franco ao presidente do Senado Federal, Humberto Lucena (PMDB-PE). Itamar garantiu a Lucena que vai debater o plano econômico com os líderes dos partidos que apóiam o governo, antes de sua divulgação para a opinião pública. O presidente disse que não serão adotadas "medidas draconianas" contra a inflação. Ele está acelerando a definição do plano, junto com os ministros da Fazenda e do Planejamento (Yeda Crusius), "porque compreende que tem que ter o plano rapidamente para tranquilizar a economia e a sociedade". O presidente Itamar Franco rejeitou a idéia de tentar promover um pacto social para discutir um plano de combate à inflação. Disse que não há mais tempo para a negociação de um acordo que envolva governo, Congresso Nacional, empresários e trabalhadores. O plano que o ex-ministro da Fazenda Paulo Haddad entragaria ao presidente da República continha apenas sete pontos e não previa confisco ou congelamento. Haddad queria reajustes salariais em prazos menores e um programa rígido de expansão monetária e de crédito, com fixação de metas trimestrais e criação de um Banco Central independente. Para os empresários, a ausência de política econômica assusta mais que o Plano Haddad divulgado pela imprensa. O Palácio do Planalto divulgou nota oficial negando que o presidente Itamar Franco tenha estudado ou pretenda promover o calote da dívida pública. A nota sai um dia depois de entrevista de Paulo Haddad, negando reportagem da revista "Veja", segundo a qual ele estaria preparando medidas heterodoxas para o programa de estabilização que entregaria este mês ao presidente. A nota desmente que qualquer estudo nesse sentido tenha partido do Palácio do Planalto, mas se omite sobre o Ministério da Fazenda. O comandante da Escola Superior de Guerra (ESG), almirante Hernani Goulart Fortuna, defendeu ontem, na aula inaugural da Escola, "uma revolução da economia brasileira" e disse que "a recessão prolongada pode causar uma convulsão social". Uma grande transformação na economia é necessária, segundo ele, "pelas mudanças que ocorreram no cenário mundial". O almirante condenou a política de controle dos preços e declarou que "não se pode mais imaginar um Estado-empresário num momento em que a economia brasileira precisa de mais dinamismo e o Estado não tem condições de assumir compromissos que lhe foram impostos nas últimas décadas". Segundo ele, "é fundamental que o Brasil passe por profundas reformas econômicas, políticas e institucionais para obter resultados nos blocos internacionais que se formaram: o europeu, o norte-americano e o asiático" (O ESP) (JB) (FSP).