DIVERGÊNCIAS ENTRE OS SEM-TERRA

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra de São Paulo está tendo que resolver um problema tão grande quanto brigar pelo assentamento de famílias em fazendas ocupadas no estado. Divergências internas, entre os próprios trabalhadores, obrigaram um grupo de cerca de 100 pessoas a deixar o acampamento na fazenda Ipanema, no Município de Iperó, a 130 km da capital paulista. Desde então, teve início uma troca de acusações e denúncias, que incluem trabalho escravo, tráfico de drogas e assassinatos que teriam ocorrido na fazenda. Na presença de entidades de classes-- sindicatos de metalúrgicos de São Bernardo do Campo e de Sorocaba, representantes da Pastoral da Terra e da OAB-- o Movimento dos Sem-Terra realizou ontem uma reunião no acampamento da fazenda para responder as acusações feitas pelo grupo dissidente. Ali, desde maio do ano passado, moram 800 famílias em um total de cerca de três mil pessoas. A coordenadora do Movimento, Deise Evangelista, afirmou que as denúncias "não têm qualquer fundamento". Segundo ela, partiram de um grupo de oito pessoas que se negava a trabalhar, como fazem todos os demais acampados da fazenda Ipanema. "Estas denúncias foram uma arma utilizada por este pequeno grupo, que acabou sendo seguido por parentes e amigos próximos, para desmoralizar o movimento", disse Denise (JC).