BRASIL LIDERA POBREZA ENTRE OS LATINOS

A pobreza no Brasil é maior do que parece. Um estudo que acaba de ser feito por um grupo de economistas do Banco Mundial (BIRD) mostra que o país mais rico da América Latina é, ao mesmo tempo, o mais pobre-- ainda que isso possa parecer uma contradição. Ao verificar a distribuição de renda na região, os pesquisadores constataram que 44% dos pobres de toda a área vivem no Brasil. O México, que aparece em segundo lugar, tem um índice de 11%. Outro dado do estudo: 44,2% do aumento da pobreza na América Latina nos últimos anos aconteceu nas zonas urbanas do Brasil. Ao se referir à pobreza, os brasileiros no geral costumam citar como exemplos países de menores recursos, como a Bolívia, o Paraguai, Honduras ou Equador. No entanto, o estudo do BIRD indica que os pobres em todos esses quatro países tem uma maior participação na renda de sua nação do que os brasileiros. O índice referente ao Brasil, na verdade, é melhor apenas que o do Panamá. Existe uma correlação, a nível de países, entre incidência de pobreza
72702 e nível de indicadores sociais. Bolívia, Brasil e Guatemala são os três
72702 países que apresentam os mais altos índices de mortalidade infantil e de
72702 analfabetismo, e são ao mesmo tempo os países com mais alta incidência
72702 de pobreza, diz um trecho do informe ""Pobreza e distribuição de renda na América Latina - a história dos anos 80". O estudo define como pobres as pessoas que têm renda mensal (per capita) equivalente a US$60. Sua constatação genérica é que a pobreza na região aumentou de 26,5%, em 1980, para 31,5%, em 1989. O total de pobres está em cerca de 130 milhões de pessoas: quase metade delas-- 57,2 milhões-- vive no Brasil. Uma das principais conclusões da pesquisa é de que o baixo nível de educação é o fator que mais determina a probabilidade de alguém permanecer na pobreza. A receita do BIRD para a reversão do quadro é seguir um modelo de crescimento "que garanta o uso produtivo do bem que os pobres possuem em maior abundância: o seu trabalho. Além disso, é necessário ampliar o acesso dos pobres à terra". A participação na renda de cada país (renda individual calculada através da divisão do total da renda de uma residência pelo número de indivíduos que nela moram) é a seguinte: Argentina- 1980 (5,3%), 1989 (4,2%); Bolívia- respectivamente 3,9% e 3,5%; Brasil- 2,6% e 2,1%; Chile- dado não disponível e 3,7%; Colômbia- 2,5% e 3,4%; Costa Rica- 3,3% e 4,0%; El Salvador- dado não disponível e 4,5%; Equador- dado não disponível e 5,4%; Guatemala- 2,7% e 2,1%; Honduras- 3,2% e 2,8%; Jamaica- dado não disponível e 5,1%; México- 4,1% e 3,2%; Panamá- 3,9% e 2,0%; Paraguai- 4,9% e 5,9%; Peru- 6,2% e 5,7%; República Dominicana- dado não disponível e 4,2%; Uruguai- 4,9% e 5,4%; e Venezuela- 5,0% e 4,8% (O Globo).