RECURSOS DOS TRABALHADORES PODERÃO ENTRAR NA PRIVATIZAÇÃO

Ao deixar formalmente ontem a presidente do BNDES, Antônio Barros de Castro anunciou que o banco já tem quase pronto um projeto que prevê a criação de fundos de investimentos com recursos dos trabalhadores para participar do programa de privatização. Está praticamente definida a utilização dos US$8,5 bilhões do PIS/Pasep-- saldo de dezembro de 1992--, e estão em estudo a utilização dos recursos do Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS), cujo saldo, no final de 1991, era de US$2 bilhões, e do FGTS. A idéia, segundo Barros de Castro, é fazer com que o trabalhador passe a ser sócio das ex-estatais, "um passo para a democratização do capital". Os trabalhadores terão a opção de comprar ou não cotas dos fundos de investimentos, com os recursos que dispõem no PIS/Pasep, no FGTS ou no FCVS. "Nada será imposto. E, se der certo, o projeto livrará o programa de privatização das amarras dos leilões". Ele ressaltou que o novo fundo de investimentos ocupará o espaço das "moedas podres", que devem acabar no fim deste ano, e incrementará a terceira etapa da privatização: a que engloba empresas de serviço público, em especial de energia elétrica, a serem vendidas a partir de janeiro de 1994. Também ontem, a Comissão Diretora do Programa Nacional de Desestatização anunciou a antecipação do leilão de privatização da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) do dia cinco para o dia dois de abril (JB).