O futuro da economia brasileira depende de fatores políticos, sendo o primeiro e mais importante deles o plebiscito sobre forma e sistema de governo, em abril. Esta afirmação é um dos poucos pontos de consenso nos cenários traçados por analistas entrevistados pela Insight - Engenharia de Comunicação & Marketing Ltda. As entrevistas foram reunidas no livro Brazil - Social and Economic Survey, com apoio do Banco Arbi, e apresentadas a investidores internacionais num seminário em Nova Iorque (EUA). Foram consultados os economistas Affonso Celso Pastore, Celso Furtado, Mário Henrique Simonsen, Edmar Bacha e Roberto Campos; o deputado Nelson Jobim (PMDB-RS); Carlos Mariani, vice-presidente da ABIQUIM; Carlos Salles, diretor da Xerox; Eliezer Batista, presidente da CVRD Internacional; o sociólogo e secretário-executivo do IBASE, Herbert de Souza; e o ex-presidente do BNDES Marcos Viana. De modo geral, todos acreditam na adoção do parlamentarismo, e criticam o sistema atual, por fazer com que qualquer crise mais grave envolvendo a Presidência repercuta na economia. O parlamentarismo chega a ser considerado essencial para que o país alcance a estabilidade econômica, e se o resultado do plebiscito for a vitória do presidencialismo, Simonsen prevê que a corrida presidencial de 1995 será o alvo de todas as discussões, adiando o ajuste da economia. Divergindo dos demais, dois analistas temem uma crise institucional em 1993: Marcos Viana, para quem Itamar Franco está se comportando de maneira confusa e não muito racional; e Celso Furtado, que teme movimentos separatistas no país, e argumenta que a unidade nacional, até agora, foi resultado da ação do Estado, fundamental para a criação de um mercado interno. Nenhum dos analistas se mostrou otimista quanto ao comportamento da inflação. Acham que as taxas se manterão altas, em torno de 1.000% ao ano. Entretanto, ninguém acredita na hiperinflação. Não há expectativa de que, em meio a essa instabilidade, a economia cresça com rapidez. A taxa média prevista está em torno de 3%, o que significa que a renda per capita não aumentará significativamente, nem melhorará a qualidade de vida da população. Como melhorar as condições de vida da população, num país em que o Estado está falido e que enfrenta 1.000% de inflação ao ano? Marcos Viana considera a tarefa simplesmente inviável se antes não se equilibrar as finanças públicas, conter a inflação e retomar o crescimento econômico. Roberto Campos, Mário Henrique Simonsen e Affonso Pastore concordam e temem que o agravamento das tensões sociais provoque conflitos. Roberto Campos observa que os governos que mais falam de suas preocupações sociais são os que mais contribuem para a situação de penúria dos mais pobres. A perspectiva de conturbações sociais é vista como uma possibilidade concreta por Herbert de Souza, Nelson Jobim e Marcos Viana. Para Jobim, as Forças Armadas poderão ser forçadas a intervir; e para Herbert de Souza, as alites terão que optar entre viver num "apartheid social" ou realmente produzir (O Globo).