Um convênio entre a Companhia Energética de São Paulo (CESP) e a Coordenadoria de Projetos Especiais da Marinha (COPESP), que poderia abrir as portas para a instalação de até três usinas nucleares de pequeno e médio porte em São Paulo, acaba de ser rompido por iniciativa da própria CESP. Assinado em julho, o documento era sigiloso, mas sua existência acabou vindo a público. Setores científicos e políticos condenaram o acordo. Ao depor na Assembléia Legislativa, o presidente da CESP, Antônio Carlos Paiva Bonini, disse que o convênio era para "capacitação" dos técnicos da companhia na área nuclear. Negou, porém, planos de comprar os reatores de média potência (de 100 a 300 MW) que a COPESP pretende construir, a partir do projeto do pequeno reator (11 MW) de um futuro submarino atômico nacional. Já o presidente da COPESP, vice-almirante Othon Pinheiro da Silva, disse que o convênio visava a repassar à CESP tecnologias que foram desenvolvidas à margem do processo de enriquecimento de urânio, feito nos laboratórios de Aramar, em Iperó. Ele justificou o caráter sigiloso do convênio como forma de resguardar "segredos industriais". Cientistas e parlamentares, no entanto, suspeitam de que a intenção da COPESP era na verdade conseguir potenciais clientes para seus projetos de construção de minucentrais nucleares. As pressões contra o convênio CESP-COPESP levaram o secretário estadual de Energia e Saneamento, José Boucinhas, a pedir sua revisão. A CESP resolveu então cancelar os efeitos do convênio, deixando de assinar os aditivos que definiriam seus objetivos (O ESP).