GOVERNO PROMETE MANTER FISCALIZAÇÃO CONTRA GARIMPOS

O governo espera que esta seja a última operação maciça para assegurar a retirada de garimpeiros dos 9,4 milhões de hectares da reserva yanomâmi. Uma vez encerrados os trabalhos de remoção inicial, será necessário apenas assegurar a fiscalização, afirmou ontem o ministro da Justiça, Maurício Corrêa, que visitou a área invadida na região de Surucucu. O ministro afirmou estar disposto a discutir novas idéias e sugestões com a sociedade civil e entidades governamentais, de forma a assegurar o direito dos índios e o trabalho dos garimpeiros, "sempre que o garimpo fique fora da área indígena". Uma das alternativas para deslocar os garimpeiros da área yanomâmi seria a construção de uma estrada que ligue Boa Vista (RR) ao Oceano Pacífico, passando pelo Suriname. O trajeto ficaria longe da reserva indígena, mas permitiria, segundo o ministro, o escoamento da produção do Estado de Roraima sem alterar o equilíbrio ecológico. Corrêa evitou referir-se ao garimpo como uma atividade predatória. "O que queremos é encontrar um denominador comum que permita o garimpo racional fora da área dos índios porque o garimpeiro também tem direito a viver e trabalhar", defendeu. Para o presidente da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), Sidney Possuelo, o governo não precisaria estar gastando os Cr$29,6 bilhões nesta nova Operação Selva Livre se tivesse gasto cerca de Cr$15 bilhões ao longo dos últimos 15 meses para manter os garimpeiros afastados da reserva indígena desde a última operação de retirada. Possuelo explicou que o sucesso da nova empreitada depende unicamente da capacidade financeira da FUNAI para realizar a manutenção (JB).