AMÉRICA LATINA TEM 240 MILHÕES DE POBRES

Mais da metade da população da América Latina, cerca de 240 milhões de pessoas, vive em estado de pobreza crítica. A afirmação foi feita ontem, na Cidade do México, pelo secretário permanente do Sistema Econômico Latino-Americano (SELA), Salvador Arreola, advertindo que, se essa situação não for corrigida, estarão em risco todos os progressos alcançados até agora. Arreola defendeu a adoção de "medidas profundas em matéria de desenvolvimento social" para reduzir o número de pessoas em situação de extrema pobreza. Ele disse que, embora a maioria dos países latino-americanos tenha adotado medidas de correção a suas políticas econômicas e sociais, ainda faltam "medidas específicas muito mais profundas". O quadro desanimador foi completado pelo representante da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Victo Tockman. Ele informou que a taxa de desemprego na região é de 7%, semelhante à dos países industrializados, mas observou que a diferença é que na América Latina os trabalhadores não contam com seguro-desemprego nem outras alternativas de sobrevivência. Ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a taxa de desemprego do mês de janeiro último: 5,99%. Considerando os meses de janeiro, esse é o pior resultado desde 1985, quando a taxa registrada 7,7%. A nova taxa é 26% maior do que a do mesmo mês de 1992 (4,86%) e 34% maior do que a de dezembro último (4,5%). Esse resultado representa 964.150 mil desempregados nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Recife (PE), Salvador (BA) e Porto Alegre (RS), que têm uma população economicamente ativa (PEA) de 16,096 milhões de pessoas. A maior taxa de desemprego foi apurada em Recife (9,05%) e a menor, em Porto Alegre (4,16%). No Rio, a taxa é de 4,48%, o que representa 190,6 mil desempregados. Em São Paulo, taxa de 6,66%, com 461 mil pessoas sem emprego. A taxa de desemprego das mulheres, nas seis regiões, foi de 6,48%, e a dos homens, de 5,69% (O Globo).