ARGENTINOS NÃO ESPERAM NOVIDADES

A recente mudança ocorrida na equipe econômica brasileira provocou desânimo nos meios empresariais argentinos que esperavam uma melhora do crescente déficit comercial com o país vizinho como resultado da gestão do ex-ministro Paulo Haddad. As pressões políticas tornam improvável qualquer mudança importante da política econômica brasileira, afirmam líderes empresariais e economistas. Nora Balsarotti, economista da Fundação Latino-Americana de Pesquisa, financiada com capital privado, diz que "no Brasil existem setores protegidos, subsidiados. Acho que é muito difícil, nas atuais circunstâncias, que o Brasil subordine sua política econômica em favor do MERCOSUL". Segundo o chefe das Confederações Rurais da Argentina, Navarro (único nome citado), "a integração não tem condições de se realizar enquanto existem tais desequilíbrios no Brasil, que subsidia a agricultura, a energia e outros setores. Esta distorção dos preços relativos deve piorar". Os líderes empresariais previram que a incapacidade de o Brasil colocar ordem na casa constituirá uma permanente dor de cabeça para seus sócios do MERCOSUL. "Os problemas do MERCOSUL são sempre os mesmos-- a crise na economia brasileira", afirmou Alberto Iban~ez, um diretor do conglomerado industrial Techint. Enquanto as importações do Brasil para Paraguai e Uruguai subiram 9% e 20%, respectivamente, no ano passado, para a Argentina a situação foi muito pior. Com a taxa cambial argentina fixa, o déficit comercial da Argentina com o Brasil pulou para US$1,5 bilhão em 1992, em comparação com US$30 milhões em 1991. Seu déficit comercial geral foi de US$3 bilhões, em comparação com um superávit de US$3,7 bilhões em 1991. O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Guido Di Tella, falando sobre as relações econômicas entre seu país e o Brasil, disse ontem, em Buenos Aires, que "houve uma decisão política do Brasil de aumentar as compras à Argentina. "Assinamos o primeiro dos três contratos destinados a completar exportações de US$400 milhões, fato político muito importante, dado que o Brasil aceitou depender de exportações de petróleo argentino, que no passado não aceitava", disse. O chanceler acentuou que não existe a menor dúvida de que no Brasil há muitos problemas, como os
72672 tivemos aqui e os corrigimos, e eles também vão corrigi-los (GM).