As lideranças dos produtores rurais, representadas pelas três maiores entidades do setor, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e pela Sociedade Rural Brasileira (SRB), decidiram ontem recomendar a seus associados que recorram à Justiça para exigir que o governo assegure o preço mínimo acertado no plantio da safra e quite as dívidas do Proagro, o seguro rural. Os produtores já tinham negociado todas essas questões com o ex-ministro Paulo Haddad, inclusive a política de comercialização da safra. Com a saída do ministro, tudo parece ter voltado à estaca zero e as lideranças do setor agrícola concluíram que não dá mais para esperar por novas negociações. "Sentimos que a agricultura é a última prioridade do governo Itamar Franco", afirmou o president da SRB, Pedro Camargo Neto. Com a indefinição da política de comercialização da safra, os preços de mercado caíram a níveis até 30% abaixo do preço mínimo, após o início da colheita. Ainda assim, "o governo Itamar anuncia congelamento dos preços da Rede Somar e reduções das alíquotas de importação para produtos que têm subsídios em seus países de origem. O governo está fazendo demagogia às custas da agricultura", afirmou Camargo. O presidente da OCB, Wilson Thiesen, calcula que cerca de um milhão de um total de cinco milhões de agricultores do país, tenham condições de questionar na Justiça suas pendências com o governo. De acordo com o presidente da CNA, Antônio Ernesto de Salvo, o governo deve Cr$2 trilhões somente no que se refere ao "novo Proagro" (com as regras adotadas desde 1991). Ele afirmou que o Banco Central tem disponíveis Cr$4 trilhões pagos pelos agricultores pelo seguro. O Proagro acumula ainda dívidas de US$190 milhões desde 1988 (GM).