INTEGRAÇÃO PROMETE MUDAR O GRAU DE CONCORRÊNCIA INTERNA

Antes de usufruir das vantagens do MERCOSUL, o Brasil precisa estar atento aos riscos que corre nessa empreitada. Abrir o mercado cambial, no caso, parece imprescindível para atrair capital. A mesma tática pode, no entanto, pôr em risco o equilíbrio interno. A Zona Franca, por exemplo, transformada em mercado livre, poderá concorrer com o temido Uruguai. mas, em contrapartida, concorrerá também, e deslealmente, no mercado interno. O mercado está receoso e com razão. Poucos sentem-se preparados para
72658 manter fluxos financeiros abertos para o mundo, pondera Ricardo Knoepfelmacher. Para o financista, o país precisa se adequar com demasiada urgência (22 meses) a uma nova realidade, de tarifas zeradas e reduzidas listas de exceção. Ele defende a redefinição de prazos do acordo. "O MERCOSUL só dará certo se der certo para o Brasil, peça fundamental do bloco. Se o protecionismo não se aplica ao mundo moderno, o país precisa estabelecer, pelo menos, um controle da macroeconomia", considera. Sem redução da inflação e reforma fiscal, ele não vê cenários positivos (JB).