NEGÓCIOS DO SETOR TÊXTIL COM ARGENTINA DEVERÃO SE AMPLIAR

O setor têxtil brasileiro vê com bons olhos o MERCOSUL. Em especial, é a Argentina a menina dos olhos nacionais. Não só porque a moda brasileira faz enorme sucesso por lá como pelas vantagens cambiais-- momentâneas mas bem exploradas--, que fazem daquele país um atrativo mercado consumidor. As crescentes preferências alfandegárias, a gradativa redução dos produtos inscritos na lista de exceção argentina (com mais de 50 produtos enquanto o Brasil não mantém têxteis em sua lista) e a proximidade geográfica tendem a compor quadro mais interessante. Mesmo assim as indústrias têxteis brasileiras guardam receios. O coordenador da Área Internacional da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT), Domingos Mosca, chama a atenção para o perigo de se abrir um mercado interno tentador como o brasileiro para mercadorias de países que não oferecem em troca o mesmo potencial consumidor ou o mesmo nível técnico. Para que dê certo o MERCOSUL, precisamos harmonizar os sistemas de
72657 produção, a legislação sobre marcas e patentes e as cláusulas de origem
72657 dos produtos beneficiados pelas preferências alfandegárias. De outra
72657 forma, será uma relação desigual a que vai existir entre os dois países
72657 do bloco, analisa Mosca. Hoje, o Brasil atende menos de 1% do mercado internacional de produtos têxteis, que movimenta anualmente US$180 bilhões. O Brasil produz algodão em abundância (duas safras anuais) e matérias-primas como lã, seda, rami e juta. Falta modernizar o parque industrial, retomando a capacidade competitiva e o crescimento do setor-- nos anos 70, saltou de US$41 milhões para US$828 milhões anuais exportados. De lá para cá, o maior valor em volume exportado foi em 1988, de US$1,2 bilhão, o mesmo de 1991 (JB).