Profissionalização e gerenciamento são palavras-chaves para o advogado e pedagogo Cesare de Florio La Rocca, presidente do Projeto Axé de Defesa e Proteção à Criança, de Salvador (BA). A entidade conseguiu tirar das ruas 2.058 crianças e levar outras 738 de volta para suas casas, desde junho de 1990, quando começou a operar. Nas unidades do Projeto Axé, as crianças recebem alimentação três vezes ao dia, banho e roupas. Têm cursos de alfabetização, mecânica e construção civil, entre outros, e participam ainda de atividades culturais em grupos afros como o Olodum, Ilê Ayê e Muzenza. O Axé é apontado como modelo de entidade de atendimento à criança e adolescente pelo ministro do Bem-Estar Social, Jutahy Magalhães. É elogiado também pelo presidente da CNBB, dom Luciano Mendes de Almeida. Em novembro do ano passado, o projeto recebeu Cr$700 milhões do ministério. Tem desenvolvido projetos em conjunto e recebido doações de empresas como as construtoras OAS e Suarez. Para La Rocca, o projeto possui características que normalmente não se vêem em organizações não- governamentais, como a profissionalização de técnicos e funcionários e o bom sistema de gerenciamento. "As ONGs não recorrem à profissionalização por falta de organização ou de recursos financeiros", disse (FSP).