O presidente Itamar Franco recuou diante dos protestos provocados pela nomeação de Eliseu Resende para o Ministério da Fazenda e prometeu procurar políticos e empresários para tentar um entendimento sobre a política econômica do governo. A informação foi dada ontem pelo governador de Minas Gerais, Hélio Garcia, após encontrar-se com Itamar, em Brasília (DF). O presidente também disse ao deputado Arnaldo Faria de Sá (PDS-SP) que Resende se comprometeu a apresentar um plano econômico em 15 dias. "Espero uma boa proposta", afirmou Itamar. O PPS e o PSDB vão estabelecer uma base de atuação parlamentar conjunta para superar a fase de desestruturação do governo desde a troca de comando na área econômica. No próximo dia nove, o líder do governo na Câmara dos Deputados, Roberto Freire (PPS-PE), o presidente do PSDB, Tasso Jereissati, e o senador Mário Covas (PSDB-SP) discutirão uma estratégia de centro-esquerda para retomar a relação com Itamar, abalada com a saída de Paulo Haddad do Ministério da Fazenda. Em São Paulo, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Jair Meneguelli, disse que o ingresso de Eliseu Resende no ministério distanciou a entidade do governo Itamar. Meneguelli disse que hoje a CUT não aceitaria indicar um nome para a nova diretoria da Caixa Econômica Federal (CEF), que irá administrar os fundos dos trabalhadores. Para o sindicalista, o governo Itamar vinha apresentando pontos positivos. Ele citou os vetos do presidente aos projetos de modernização dos portos e da reforma agrária. Um dos destaques do "painel do desperdício", inaugurado ontem no Congresso Nacional pelo ministro dos Transportes, Alberto Goldman, com fotos e vídeos de obras que acumulam grandes prejuízos, é a Rodovia do Aço, herança da passagem do atual ministro da Fazenda, Eliseu Resende, por aquela pasta. A ferrovia foi iniciada em 1973 com previsão de mil dias para conclusão e custo de US$1 bilhão. Ela acumula sete mil dias e prejuízo de US$2 bilhões. Ainda faltam 100 km, dos quais 55 estão sendo concluídos com a iniciativa privada, ao custo de US$136 milhões, com gasto por quilômetro três vezes menor do que a parte feita pelo governo. Outro exemplo é a ampliação da Via Dutra, que liga o Rio de Janeiro a São Paulo. Prevista para custar US$13 milhões e durar 99 dias, a obra já consumiu US$20 milhões, está parada e precisa de mais US$42 milhões. Um dos contratos da época teve seus custos aumentados em 6.000%, conforme relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) (O ESP) (O Globo) (JB).