BOLÍVIA LIQUIDA SUA DÍVIDA EXTERNA

O governo boliviano prepara-se para anunciar uma façanha histórica: a dívida externa do país com os bancos credores estará totalmente liquidada até o final do mês. "É o primeiro país do Terceiro Mundo a emergir da crise do endividamento externo sem nenhum centavo pendurado com os bancos comerciais internacionais", afirmou o presidente Jaime Paz Zamora. Segundo fontes de La Paz, os últimos US$180 milhões dos débitos externos bolivianos serão arrematados através de três mecanismos, já aceitos pelos credores: recompra direta de títulos a 16 centavos por dólar da dívida, troca dos débitos por bônus sociais, resgatáveis em nove meses e também emitidos a 16% do valor de face da dívida e emissão de bônus com 30 anos de prazo, garantidos por doações de organismos multilaterais de créditos, pelo valor nominal em dólares. Segundo o negociador oficial da dívida boliviana, Jaime Delgadillo, há um ano a dívida externa comercial do país somava US$678 milhões e, durante 1992, a Bolívia a reduziu em quase US$480 milhões, também via mecanismos de recompra dos débitos com desconto. No auge do endividamento do país, a Bolívia acumulou cerca de US$2 bilhões em débitos externos, mais da metade do PIB do período. O PIB de 1991 foi de US$6,14 bilhões e a renda per capita, no mesmo ano, de US$807. A Bolívia foi um dos primeiros países do mundo a colocar em prática vários mecanismos financeiros inovadores para reduzir seus débitos externos. Desde 1987, os bolivianos começaram a trocar sua dívida por projetos de proteção à natureza, participação em empresas estatais e securitização dos débitos. Muitos credores, como bancos norte-americanos, suíços e holandeses, também perdoaram parte da dívida boliviana (O ESP).