PIB TEVE QUEDA DE 0,93% EM 1992

O Produto Interno Bruto (PIB)-- soma do valor de mercadorias, bens e serviços produzidos no país-- caiu 0,93% no ano passado. Isso quer dizer que o Brasil ficou mais pobre em 1992. Segundo o IBGE, em 1991 o PIB foi positivo em 0,98% e negativo em 1990 (-4,60%). Pelas estatísticas apresentadas ontem, há um fator animador: o PIB cresceu 2,79% no último trimestre em relação ao trimestre anterior, após vários trimestres de quedas sucessivas. Isso indica que os brasileiros entraram em 1993 com a tendência de retração anterior do PIB anulada. Com -0,93%, taxa que, segundo o Banco Central equivale a um PIB de US$420 bilhões, a renda per capita caiu 2,81% em 1992. Na taxa acumulada de 1992, contudo, a recessão só não foi maior graças ao desempenho da agropecuária, que cresceu 5,96%, por conta da expansão de 6,45% na produção agrícola e de 5,31% na pecuária. A indústria encolheu 4,06%, principalmente nos segmentos de transformação (-4,91%) e de construção (-4,36%). Esses dois segmentos representam 40% do PIB nacional. O setor de serviços apresentou retração de 0,10%, com diminuição de 3,15% no produto do comércio. O setor financeiro caiu 4,62%, taxa que aparentemente contradiz os balanços dos bancos, que apresentaram altos lucros no ano passado. A explicação: o produto do segmento de instituições financeiras contribui para o cálculo do PIB apenas com a receita dos serviços remunerados diretamente (como fornecimento de talões de cheques), levando-se em conta ainda o pessoal ocupado na atividade. De acordo com os técnicos do IBGE, no ano passado houve fatores positivos, como a sensível expansão da agricultura e as vendas no mercado externo, mas eles mostraram-se insuficientes para neutralizar os efeitos negativos da demanda interna reprimida, decorrente da redução da massa salarial real e das altas de juros. Estimativas de especialistas em planejamento mostram quem para o país crescer, o PIB teria de aumentar a uma taxa anual de pelo menos 7%, por vários anos seguidos (O ESP) (O Globo) (GM).