O presidente Itamar Franco comandará o Conselho de Segurança Alimentar, que será criado para executar o programa de combate à fome e miséria. O presidente dirigirá as reuniões para dar "status" político ao conselho e elevar o programa social à condição de prioridade do governo, segundo acertou ontem durante encontro com o sociólogo e secretário-executivo do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE), Herbert de Souza, o coordenador do órgão. A secretaria-executiva deverá ser dirigida pelo bispo de Duque de Caxias (RJ), dom Mauro Morelli. Até o final do mês o Conselho estará estruturado. Segundo Ana Peliano, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômicas Aplicadas (IPEA), que também participa do núcleo original do Conselho, já foram definidas cinco frentes de trabalho. Serão propostas a descentralização do programa de merenda escolar e a ampliação do programa de alimentação do trabalhador. O Conselho vai propor também um novo programa, de atendimento ao desnutrido. O IPEA fará um mapeamento da pobreza no Brasil e estudará formas de redução no preço dos alimentos. Segundo Herbert de Souza, a principal função do Conselho será interligar as ações para combater a fome, entre elas programas de geração de empregos, assentamentos de colonos no programa de reforma agrária e distribuição de alimentos. O Conselho será composto por representantes de centrais sindicais, igrejas, empresários e universidades. Seu trabalho será divulgado através dos meios de comunicação. Herbert de Souza defendeu que a erradicação da fome deve ser a primeira preocupação de todos os ministérios. "Do Bem-Estar Social à Economia, Indústria e Comércio, e com a participação da sociedade", frisou. "Seja Paulo Haddad ou Eliseu Resende tem que haver resposta sobre como acabar com a miséria", disse. De olho nas doações e no fim do desperdício, Herbert de Souza levantou uma polêmica junto aos integrantes da comissão de combate à fome que participaram da reunião interministerial. "Quando o rei da soja, Olacyr Soares, vai doar umas toneladas para os que estão morrendo de fome?", questionou. "Quem sabe aos poucos não atraímos outros reis e rainhas?", brincou. Hoje, o sociólogo conversará com o presidente da EMBRATUR, Lúcio Neves, para propor a participação no que denominou "programa de parcerias". A idéia é que os hotéis da orla do Rio de Janeiro (capital) doem diariamente a comida que sobra dos seus restaurantes e que muitas vezes vai para o lixo. "Cada hotel seria adotado por uma entidade séria, que ficaria responsável pela distribuição e fiscalização de quentinhas", disse (O ESP) (O Globo) (JB) (JC).