A Central Única dos Trabalhadores (CUT) transformará num ato político o lançamento, amanhã, da campanha por controle, fiscalização e garantia de saque do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Dois milhões de cartilhas em quatro versões-- para trabalhadores e sindicatos-- começarão a ser distribuídas com explicações sobre como conferir os depósitos do FGTS e como acionar judicialmente sonegadores. A campanha deve chegar ao auge em maio, justamente quando serão liberados os saques de contas inativas, em cumprimento à Lei 8.036/90-- hoje o governo ameaça não fazê-lo, porque estima que haja perto de 60 milhões de contas inativas, que resultariam em saques de US$2 bilhões. Até lá, cerca de dois milhões de trabalhadores filiados a sindicatos cutistas estarão anotando nas cartilhas possíveis irregularidades nos depósitos. Dentro de dois meses, a CUT já terá nomes de infratores. A estimativa do Conselho Curador do Fundo é de que 74% das empresas recolhem o Fundo irregularmente e, destas, 53% não recolhem nada. Ontem, a Força Sindical saiu em passeata pelo centro de São Paulo (capital) contra o calote do FGTS. O presidente da entidade, Luiz Antônio de Medeiros, entregou em seguida na Justiça Federal ação contra a Caixa Econômica Federal (CEF), cobrando a correção de 44,8% do Fundo, que deixou de ser feita em abril de 1990, com o Plano Collor. O advogado Fernando Marques preparou ação coletiva para cobrar o direito, em nome de 60 sindicatos filiado à central (O ESP).