ANISTIA FARÁ CAMPANHA PELAS MÃES DE ACARI

A Anistia Internacional vai iniciar uma campanha por vários países, exigindo das autoridades brasileiras maior empenho nas investigações sobre o sequestro e assassinato de 11 jovens no Município de Magé, no Grande Rio, em 1990, que originou o movimento Mães de Acari. Serão distribuídas fotos de uma das criadoras do movimento, Edméia da Silva Euzébio, assassinada no dia 15 de janeiro depois de visitar um detento no Presídio Hélio Gomes. Os 11 jovens, que moravam na Favela de Acari, na zona norte do Rio de Janeiro (capital), estavam num sítio em Magé, quando foram levados por vários homens numa Kombi e em outro carro não-identificado. Os assassinos seriam integrantes de um grupo de extermínio formado por policiais. No mês passado, por meio de carta anônima, a polícia descobriu duas ossadas, que podem pertencer a dois dos menores assassinados. O assassinato de Edméia foi um ponto negativo para o Brasil, no plano
72639 internacional, criticou Riccardo Zucconi, membro do Grupo Itália-4 da Anistia Internacional. Ele esteve ontem o Centro de Articulação das Populações Marginalizadas (CEAP) para acompanhar o andamento das investigações do caso. "A Anistia não está nada satisfeita com o trabalho das autoridades brasileiras", afirmou. Zucconi disse que a história das Mães de Acari é vista com muito interesse em todos os países da Europa. "A falta de segurança está afetando a imagem do Brasil lá fora", disse. O sociólogo Herbert de Souza, secretário-executivo do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), recebeu, em 45 dias, 185 cópias de cartas enviadas ao Ministério da Justiça por entidades internacionais. As cartas pedem solução para o caso dos 11 desaparecidos em Magé (O ESP) (JB).