A ausência de uma política governamental para a indústria e o comércio exterior é a maior preocupação de Nelson Brasil de Oliveira, presidente da ABIFINA (Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina). Segundo ele, o setor tomou um grande impulso na década de 80. Mas, a partir de 1990, resvalou no abandono e na deterioração de seu parque industrial. "O governo Collor foi um período trágico. A intenção parece que era mesmo desmantelar o nosso setor. E agora ainda não vejo atitudes concretas do governo no sentido de reverter esse quadro", alerta. Oliveira questiona os prazos do MERCOSUL. Nas negociações previstas, diz que a única certaza é a redução, semestre a semestre, das alíquotas e das listas de exceção aplicadas entre os países do bloco. Segundo ele, tais medidas só podem trazer resultados positivos para o Brasil se acompanhadas pela estabilidade econômica interna, pela queda da inflação e dos juros e pela reforma fiscal. Caso contrário, o empresário prevê uma situação de fragilidade para a indústria nacional. Para começar, levamos desvantagem nos preços, porque suportamos impostos,
72632 em média, superiores em 30 pontos percentuais. Enquanto na Europa e nos
72632 EUA incidem impostos de cerca de 25% sobre a produção, no Brasil os
72632 impostos chegam a 55% do valor dos produtos, exemplifica. A ABIFINA não reivindica nem a estabilização do setor nem o afastamento completo do Estado. Para ele, esta última opção só agrada ao Primeiro Mundo, que gostaria de ver países menos desenvolvidos, como o Brasil, ocupados em produzir matérias-primas, alimentos e tecnologia suja. É angustiante a expectativa em relação à criação de salvaguardas para
72632 a nossa indústria. Ninguém consegue produzir com juros tão altos, assusta-se. O risco de ver o mercado interno abastecido por produtos pirateados por empresas fantasmas do Uruguai e do Paraguai também intimida Oliveira. "Com o trânsito livre de mercadorias, produtos importados da Europa e maquiados no Uruguai e no Paraguai poderiam concorrer tranquilamente com os nossos", diz ele (JB).