RESENDE ABALA APOIO POLÍTICO A ITAMAR

A nomeação de Eliseu Resende para o Ministério da Fazenda foi mal- recebida pela base de apoio do governo no Congresso Nacional e provocou uma crise em Brasília. Com a escolha de Resende, Itamar perdeu o "pacto de boa vontade" no Congresso. Membros dos principais partidos da base parlamentar do governo intensificaram as críticas à mudança na Fazenda, e parlamentares de esquerda advertiram que podem passar à oposição. "O momento é de intranquilidade", admitiu o líder do governo na Câmara dos Deputados, Roberto Freire (PPS-PE). "Uma grande interrogação pesa sobre o novo ministro", acrescentou o líder no Senado Federal, Pedro Simon (PMDB- RS). O senador José Fogaça (PMDB-RS) advertiu que a troca põe em risco a aprovação do ajuste fiscal e do Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF). O deputado José Genoíno (PT-SP) e outros parlamentares do PT, que apoiaram a decisão da ex-prefeita Luiza Erundina de colaborar com o governo Itamar, exigiram ontem dela e do ministro do Trabalho, Walter Barelli, que se demitam imediatamente. Genoíno chamou o presidente de tonto, Eliseu Resende de "direitista", e o advogado-geral da União, José de Castro, de "desclassificado". Walter Barelli anunciou que deixará o Ministério do Trabalho se o governo decidir aplicar um choque econômico. Segundo ele, todo choque resulta em arrocho salarial. Também o PSDB discute o fim do apoio irrestrito ao governo. O deputado Maurílio Ferreira Lima, do PMDB, definiu a posição de seu partido em relação ao governo, daqui para a frente, como de indiferença. Em São Paulo, representantes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) avisaram que não aceitarão o congelamento de preços e irão às ruas em protesto se o presidente Itamar Franco tomar essa decisão. O presidente da FIESP, Carlos Eduardo Moreira Ferreira, confirmou que os industriais não vão aceitar pacotes e que passarão "firmemente para a oposição" se ocorrer intervenção na economia. Ontem, o presidente Itamar Franco suspendeu as nomeações para os cargos de segundo escalão. A repercussão negativa das indicações de novos diretores do Banco Central, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal provocou a decisão. As nomeações políticas fora o motivo alegado pelo ex-ministro Paulo Haddad ao justificar o seu pedido de demissão. Haddad afirmou ter saído porque o presidente teria se recusado a rever os nomes escolhidos. O plano de estabilização elaborado pelo ex-ministro Haddad tem de ganhar maior abrangência, disse Resende. Além do controle severo da emissão de moeda-- para desestimular aumentos de preços-- Resende quer medidas voltadas para uma "política de rendas", como a reformulação da política salarial. O novo ministro explicou que prefere o termo "programa de ação" a plano, para afastar a idéia de choque na economia. Eliseu Resende trocou a presidência da ELETROBRÁS pelo Ministério da Fazenda sem ter apresentado o resultado da auditoria que prometera realizar nas contas da Hidrelétrica de Xingó, obra citada como uma das fontes de recursos do "esquema PC". Funcionários da ELETROBRÁS acham que a investigação não chegou a ser feita (O ESP) (O Globo) (FSP) (JB).