MAJOR DO CASO LETELIER NEGOCIOU NO RIO FUGA PARA OS EUA

Antes de embarcar para Washington (EUA), onde confessou ontem sua participação nos preparativos do assassínio do ex-ministro das Relações Exteriores do Chile, no govenro no presidente socialista Salvador Allende, chanceler Orlando Letelier, o major do Exército daquele país, Armando Fernandez Larios, passou várias dias secretamente no Brasil, negociando com promotores federais dos EUA. Armando Fernadez Larios estabeleceu contato com o governo norte-americano vários meses atrás, por meio de sua irmã, que vive nos EUA. Em janeiro ele conseguiu despistar agentes que o seguiam constantemente, refugiando-se num "aparelho", uma residência usada secretamente por funcionários da embaixada norte-americana em Santiago, capital do Chile. Lá começaram suas negociações com promotores e agentes do FBI, que tinham viajado para o Chile especialmente para este fim. Usando uma série de disfarces e documentos falsos, os funcionários norte-americanos colocaram o major chileno dentro de um avião com destino ao Brasil. No Rio de Janeiro, eles teriam passado quase duas semanas em sessões contínuas de interrogatórios. Do Rio de Janeiro, o major e os investigadores dos EUA embarcaram para Nova Iorque e, de lá, para Washington, no jatinho do diretor do FBI, William Webster. Armando Fernandez Larios foi quem fez um mapa do endereço, da casa, do automóvel, dos hábitos e dos horários do ex-chanceler chileno, quando este morava em Washington, após o golpe militar no Chile em 1973. O major trabalhava então para a polícia política chilena, a DINA, quando esta resolveu assassinar o ex-ministro. No dia 21 de setembro de 1976 uma bomba explodia no carro de Orlando Letelier, matando-o (JB).