PROJETO SUGERE ADIAMENTO DOS LEILÕES DE PRIVATIZAÇÃO

Os grupos Ipiranga e Suzano, à frente de outras empresas, estão empenhadas em obter do presidente Itamar Franco a garantia de que os leilões de privatização, agendados para a partir de março, sejam adiados. Ambos querem, em primeiro lugar, reestruturar o setor petroquímico, promovendo fusões e incorporações de empresas de capital privado. A argumentação que sustenta a tese do adiamento dos leilões é a de que, mantidas as atuais regras de privatização, o grupo Norberto Odebrecht conquistará uma posição de larga vantagem em relação à concorrência. Em outras palavras, passará a deter o monopólio das três centrais de matérias-primas petroquímicas. O argumento consta do chamado Projeto Sigma, elaborado por executivos da Ipiranga e da Suzano, que propõe a reorganização da atividade petroquímica no país, entregue na semana passada ao presidente do BNDES, Antônio Barros de Castro. O modelo Sigma prevê a constituição de no máximo três grandes grupos petroquímicos, cujos portes permitiriam lotear o mercado em três regiões-- Nordeste, Sudeste e Sul-- bem como disputar espaço na área internacional. O Sigma conta com o aval da PETROQUISA e a simpatia do BNDES, que também defende a reestruturação do setor. Mas esbarra em dois obstáculos: a oposição do grupo Odebrecht, que defende as atuais regras de privatização, e o receio do Palácio do Planalto, que não quer ver o eventual adiamento dos leilões interpretado como mais um recuo do governo no campo da privatização (Relatório Reservado no. 1.350).