A bissexualidade masculina não assumida é responsável pelo crescimento dos casos de AIDS nas mulheres e, consequentemente, pelo aumento do número de crianças que nascem infectadas pelo vírus HIV. A conclusão é da diretora da Divisão de AIDS do Ministério da Saúde, Lair Guerra de Macedo, que ontem apresentou os novos números da doença no país. Com mais 943 casos notificados em janeiro, a maioria diagnosticados em 1992, o Brasil registrou até agora 34.881 aidéticos, para um total estimado de mais de 400 mil infectados. Em cada grupo de seis infectados em 92 há uma mulher, a mesma proporção do ano anterior. Lair Guerra acredita que esta relação, que já foi de 10 para uma em 87, chegará a três homens para cada mulher em 93. Dos 1.124 casos de AIDS entre menores de 15 anos contabilizados pelo Ministério da Saúde desde 1980, 725 (58,3%) são de infecção perinatal, ou seja, durante a gestação. Esta proporção, que era de 15% até 86, chegou a 83,2% em 92. Os casos de AIDS no país estão assim distribuídos: Região Norte (343), Região Centro-Oeste (1.301), Região Nordeste (2.658), Região Sudeste (27.568, sendo 1.331 em Minas Gerais; 298 no Espírito Santo; 5.223 no Rio de Janeiro e 20.716 em São Paulo) e Região Sul (3.011). Para o Carnaval, o Ministério da Saúde preparou uma campanha composta de cinco milhões de panfletos e dois filmes para TV. A principal peça é um jingle, em ritmo de "axé music", incentivando o uso de preservativos. O outro filme se dirige aos usuários de drogas injetáveis, grupo que vem registrando crescente participação proporcional entre os infectados pelo HIV, tanto entre as mulheres como entre os homens (FSP) (O Globo).