Apesar da crise aberta com a nomeção de Luiza Erundina para a Secretaria de Administração Federal, o presidente Itamar Franco e o presidente do PT, Luís Inácio Lula da Silva, chegaram a um consenso em relação ao combate à fome, durante a reunião realizada ontem, no Palácio do Planalto. Depois de mais de uma hora de conversa, Itamar aprovou as propostas do PT, acertando a formação de um grupo, com a participação de quadros do partido, que se reunirá no próximo dia 18 para definições de estratégias de curto prazo para combater a fome. Lula esclareceu que o PT não participará do programa de combate à fome enquanto partido, mas seus técnicos poderão integrar o grupo de discussões, uma vez que colaboraram na elaboração do projeto, denominado Política Nacional de Segurança Alimentar. Ele salientou que a postura oposicionista do PT não o impede de conversar. Em sua opinião, a questão da fome é suprapartidária. Os principais pontos do programa são: -- Elevação dos Salários reais e Recuperação dos níveis de emprego. Para o governo, isso é uma prioridade básica. Os ministérios setoriais estão elaborando programas compensatórios de geração de emprego e renda. -- Reforma Agrária a curto prazo. O PT propõe um programa emergencial para atender 100 mil famílias acampadas e assentadas. O governo dará continuidade ao programa de reforma agrária, que está defasado, e exigirá revisão das metas iniciais de assentamento: 400 mil famílias até 1994. -- Apoio a pequenos e médios agricultores. para apoiar a Agricultura de subsistência, o governo propõe o fornecimento de equipamentos e sementes selecionadas e a compra antecipada da produção. -- Apoio às Cooperativas agroindustriais de pequenos e médios agricultores. O governo concorda. -- Revisão da composição da cesta básica, com a qual o governo concorda. O PT também propõe controle de preços e da margem de lucro sobre esses produtos. -- ações de combate à fome e à desnutrição. a proposta do Governo não é diferente. -- O PT propõe a garantia de preços mínimos, alterações nos mecanismos de operação das CEASAs, para evitar a intermediação abusiva e reduzir preços na comercialização. -- Em caráter emergencial, o PT propõe a oferta de alimentos subsidiados por meio de tíquetes ou carnês e a implantação de restaurantes populares. -- Garantia de alimentação a todas as crianças que frequentam creches, pré-escolas e escolas públicas de 1o. grau. -- Venda de alimentos subsidiados através do comércio varejista, compras comunitárias articuladas a cooperativas de produção, distribuição de alimentos para as famílias com rendas inferiores a meio salário-mínimo. -- Programa de erradicação da desnutrição, centrado no grupo materno- infantil (JB).