A Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria (PA) comunicaram à Procuradoria Geral da República o desaparecimento dos lavradores Antônio Inácio Faria e Luís Rodrigues dos Santos. Os dois não são vistos desde um confronto entre trabalhadores e a PM do Pará, que dissolveu uma reunião sindical no último dia 10. Com o sumiço dos lavradores, sobe para 15 o número de trabalhadores desaparecidos na cidade em dois anos. A CPT e o sindicato acham que todos estão mortos, mas seus corpos não foram localizados. O procurador-geral da República, Aristides Junqueira, deverá designar um subprocurador para o caso no início da próxima semana. A PM paraense é acusada pelo sindicato e pela CPT de crime contra a organização de trabalhadores. As entidades pedem também a apuração dos assassinatos pela Procuradoria. Entre os mortos em Rio Maria, região onde ocorrem os mais violentos conflitos pela posse da terra no país, figuram os ex-presidentes do Sindicato dos Trabalhadores Rurais João Canuto-- morto em dezembro de 1985-- e Expedito Ribeiro da Silva-- em fevereiro de 1991. Dois filhos de Canuto, que tentavam reorganizar o sindicato após a morte do pai, também foram mortos a tiros em uma emboscada. Nenhum acusado pelas mortes foi julgado até hoje. O presidente Itamar Franco recebeu carta de quatro agências britânicas de defesa dos direitos humanos manifestando preocupação com a fuga de Darly Alves da Silva e Darci Alves Pereira, assassinos de Chico Mendes. A carta, divulgada pelo Catholic Institute for International Relations (CIIR), afirma que a fuga dos condenados "joga dúvidas" sobre a esperança de que o governo Itamar Franco fizesse surgir uma ação decisiva contra a impunidade no Brasil. As entidades cobram o empenho do governo para capturar os assassinos de Chico Mendes e apurar o envolvimento de outras pessoas que não foram processadas pela Justiça brasileira, contra as quais haveria Informações bem fundadas". O CIIR também enviou correspondência a Itamar condenando a lei da selva em Roraima, onde foi assassinado o advogado Paulo Coelho Pereira após denunciar a nomeação de desembargadores do Tribunal de Justiça do estado, pelo governador Ottomar Pinto, sem atender requisitos legais (JB).