EX-OFICIAIS AJUDAM PROJETO ATÔMICO

Militares da reserva que ocuparam ou ainda ocupam postos estratégicos na Coordenadoria para Projetos Especiais do Ministério da Marinha (COPESP) criaram uma empresa de locação de mão-de-obra que presta serviços à própria instituição. Mais de 200 engenheiros, físicos e técnicos civis, contratados por intermédio dessa empresa, trabalham atualmente nas experiências de enriquecimento de urânio e de construção de um reator nuclear de pequeno porte, que propulsionará um futuro submarino atômico, também projetado pela COPESP. A empresa arregimentadora de pessoal-- ou "gato", como é chamado esse serviço-- é uma sociedade hoje formada por dois ex-oficiais da Marinha, os capitães-de-mar-e-guerra Virgílio Lopes de Oliveira e Reynaldo Brown do Rego Macedo. Fundada em 1987, a Mitas Engenharia e Consultoria Ltda., tem sede em duas salas no centro do Rio de Janeiro (capital). Depois de consumir, em números oficiais, US$555 milhões desde 1979 até este mês, o programa nuclear paralelo da Marinha ainda não gerou um quilowatt de energia. O manto da segurança nacional cerca o projeto, considerado estratégico, enquanto há dúvidas sobre a capacidade de os militares desenvolverem um plano científico-tecnológico que não tenha por objetivo produzir a bomba atômica (O ESP).