O setor de pêssego em conserva, que chegou a temer a sua extinção por causa da criação do MERCOSUL, alcançou em 1992 um recorde de exportações. Foram embarcadas cerca de seis mil toneladas, o correspondente a US$5 milhões, o que representou uma evolução em torno de 90% sobre o ano anterior, informou Hugo Poetshc, presidente do Sindicato da Indústria de Doces e Conservas Alimentícias de Pelotas (RS), principal pólo produtor de pêssego no país. O Uruguai, que não possui indústria de conserva de pêssego, foi o maior importador do produto nacional, seguindo-se a Argentina e o Paraguai. A indústria argentina de pêssego em conserva era favorecida até 1991 com subsídios, o que tornava o produto mais competitivo em comparação ao brasileiro. Com o fim desse benefício, determinado pelo governo Menem, os argentinos acabaram ficando numa posição de igualdade com os brasileiros. O desequilíbrio favorável ao Brasil é conjuntural e seu principal fator é a quebra da safra de pêssego da Argentina, que ocasionou perdas de mais de 60% da produção, que em épocas normais atinge 35 mil toneladas por ano, informou Poetsch. Hoje o Brasil exporta para a Argentina caixas com 24 latas de um quilo de pêssego a US$20 valor FOB, sobre o qual incide uma alíquota de 11% além das demais despesas de transporte (GM).