Os salários da grande maioria dos trabalhadores brasileiros têm hoje menos da metade do poder aquisitivo do que tinham em março de 1990. A constatação é do DIEESE, com base em estudo realizado entre 74 categorias, nos 14 escritórios regionais do órgão. Os resultados mostram que em 1992 os salários reais das 74 categorias variaram entre 38% e 45% com relação a 1o. de março de 1990. Segundo o coordenador de Produção Técnica do DIEESE, Antonio Prado, grande parte desta queda deve-se ao expurgo da inflação de março de 1990, que foi de 84,32%, e que com o Plano Collor acabou sendo eliminada dos cálculos de reajuste salarial. Ainda de acordo com a pesquisa do DIEESE, quase a totalidade das categorias profissionais do país receberam, ano passado, reajustes com índices superiores aos determinados pela lei vigente à época. Para 28% delas, as correções foram mensais. Mas essa prática não foi suficiente para recuperar o poder de compra dos trabalhadores assalariados, que entre março de 1990 e final de 1992 sofreu uma redução média de 60% em seu valor inicial. Segundo o DIEESE, de 68 categorias profissionais pesquisadas, com exclusão dos servidores públicos, apenas nove receberam o que dispunham as leis. As demais tiveram vantagens em relação à extensão do reajuste salarial e ao índice a ser utilizado (JB) (GM).