CENTRAIS SINDICAIS FAZEM PAUTA ÚNICA

A cúpula do movimento sindical, em uma proposta unitária, marcou para o próximo dia 2 de abril a realização de uma plenária nacional intersindical, quando será analisada a proposta de uma greve geral no país. Reunidas ontem em Brasília, a CUT (Central Única dos Trabalhadores), a CGT (Central Geral dos Trabalhadores), a USI (União Sindical Independente) e as nove confederações nacionais de trabalhadores decidiram elaborar um documento analítico da conjuntura nacional, com 18 reivindicações que serão encaminhadas ao presidente José Sarney, aguardando "respostas objetivas" até o dia anterior ao da realização da plenária, segundo informou o presidente da CGT, Joaquim dos Santos Andrade. A CGT e a CUT não estão dispostas a sentarem-se novamente à mesa de negociações com o governo e empresários até que algumas de suas reivindicações tenham sido atendidas. A decisão foi manifestada tanto pelo presidente da CUT, Jair Meneguelli, como pelo presidente da CGT. Para eles, a iminência de uma greve reside no fato de que o governo está "sem rumo", tendo como decisão deliberada "apostar na recessão". Os dois líderes sindicais criticaram o presidente José Sarney e o ministro da Fazenda, Dílson Funaro, por terem cedido tão rapidamente à pressão dos empresários para realinhar os preços. As 18 reivindicações a serem entregues ao presidente da República são as seguintes: reajuste geral dos salários com reposição das perdas a partir de março de 1986; estabelecimento de um índice real de inflação elaborado pelo DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos); escala mensal para os salários, pensões e aposentadorias; salário mínimo real de acordo como DIEESE; reajuste dos proventos de pensionistas e aposentados para recuperação ao nível de 1979; reforma agrária, garantia e estabilidade no emprego; jornada de trabalho máxima de 40 horas semanais; liberdade e autonomia sindical; congelamento dos preços e tarifas, tabelamento dos aluguéis e garantia de abastecimento; fim da LSN (Lei de Segurança Nacional), Lei de Greve, decretos-leis e das medidas de emergência; ensino e saúde públicos, e gratuitos para todos; acesso do movimento sindical de forma gratuita aos meios de comunicação de massa, durante todo o funcionamentoda Constituinte; extinção dos processos a sindicalistas e demais mecanismos de punição a grevistas; fim da especulação financeira, fim da localização de mão-de-obra e do trabalho temporário; fim imediato da sangria provocada pela dívida externa; e manutenção da aposentadoria por tempo de serviço, sem limite de idade (GM) (O ESP).