FORÇAS ARMADAS NÃO PRESTAM CONTAS

Protegidos por um decreto-lei editado durante a ditadura, os ministérios militares podem permutar ou vender seus imóveis sem prestar contas (como acontece com todos os outros orgãos) à Administração Federal. Somente no período de 1988 a 1992, de acordo com os dados oficiais, as Forças Armadas permutaram 20.990.074 metros quadrados de suas áreas. Nos últimos cinco anos, a Marinha e o Exército venderam 12.000.534 e 665.082 respectivamente de áreas, representando bilhões de cruzeiros. A Administração Federal não tem dados oficiais do total de áreas em posse das Forças Armadas. No entanto, só o EMFA possui no Município de Itaituba, oeste do Pará, mais de cinco milhões de hectares que seriam destinados à construção de quartéis e campo de provas. Também na fronteira do Pará com o Mato Grosso, na área da Serra do Cachimbo, o Ministério da Aeronáutica possui uma área superior a 1 milhão de hectares. O Exército não fica atrás. Em um dos lugares mais nobres do Rio de Janeiro, na Restinga da Marambaia, por exemplo, administra um terreno de 36 quilômetros de extensão. Nas operações comerciais que vêm sendo realizadas pelas Forças Armadas aparecem nomes de grandes empresários. É o caso do proprietário da cadeia de supermercados Paes Mendonça, João Carlos Paes Mendonça, que adquiriu da Marinha, em agosto de 1991, uma área de 58.935,64 metros quadrados ao preço, na época, de Cr$829.380.460,00. A Marinha informou que o dinheiro arrecadado foi recolhido ao Fundo Naval. Mas a maior área vendida pela Marinha está localizada na margem direita do rio Paraguai, na Zona Rural de Ladário, no Mato Grosso do Sul. Por Cr$8 milhões, pagos em junho de 1992, Tadeu Barros da Costa, comprou 10,5 hectares de terra que pertencia à Marinha (JB).