BANCOS ESPERAM FMI PARA ASSINAR ACORDO

A expectativa do governo de assinar o acordo com os bancos credores privados até julho não deve se concretizar. Os credores privados preferem aguardar as novas negociações do Brasil com o FMI (Fundo Monetário Internacional) para aderir à proposta fechada com o comitê dos bancos em julho do ano passado. A normalização das relações entre o Brasil e a comunidade financeira é considerada pelo ministro da Fazenda, Paulo Haddad, como uma das pré- condições para a implantação de um programa de estabilização da economia. Se a adesão de 95% dos credores não acontecer até o dia 15 de março-- como espera Haddad-- fica comprometido o cronograma que prevê a assinatura em julho. Se houver a adesão, o Brasil pagará mais uma parcela de juros atrasados. Essa ondição, prevista na minuta do acordo, é considerada pelo governo um estímulo aos bancos. Os pagamentos já vêm ocorrendo desde novembro. Apesar de o Brasil estar cumprindo rigorosamente o cronograma de pagamentos, os banqueiros gostariam de ter sinais mais claros da estabilização da economia do país. Estes sinais dependem do entendimento que o governo brasileiro estabelecer com o FMI. Essa expectativa deve adiar o fechamento do acordo para outubro ou novembro. Os credores acreditam que o Brasil tem condições de cumprir as novas metas. Com isso, haveria a liberação das parcelas do empréstimo "stand by" de US$2 bilhões, que o governo quer usar como parte das garantias oferecidas aos credores privados. O que também pode atrasar a assinatura do acordo é a opção dos banqueiros pelos papéis que exigem garantias em contrapartida. O Brasil ofereceu as bancos seis opções de títulos, sendo dois-- um bônus ao par (que mantém o valor nominal da dívida) e outro que reduz a dívida em 35%-- com garantias (FSP).