Cálculos oficiais do governo indicam que uma inflação de 16% em janeiro reduz a zero o abono salarial de 8% concedido em fevereiro do ano passado após a implantação do Plano Cruzado. Se for confirmada a aceleração inflacionária prevista pelo próprio governo, no final de março, quando o gatilho disparar para compensar a inflação acumulada de janeiro a março, os salários comprarão apenas 58,8% do que compravam no fim de dezembro último. O Ministério da Fazenda está prevendo uma inflação de 16% em janeiro, 22% em fevereiro e 20% em março. O reajuste salarial automático de 20% será acionado novamente (houve um primeiro disparo do gatilho, recebido no contra-cheque de janeiro, referente a perdas passadas-- a inflação de março a dezembro de 1986) na folha de pagamento de março e os trabalhadores receberão o aumento somente no início de abril. Isto significa que as perdas acumuladas em três meses de inflação serão apenas parcialmente recuperadas, em abril, mas, mesmo assim, o salário não retornará aos níveis de dezembro. Ele permanecerá com uma defasagem de pelo menos 16%, a ser compensada pelo próximo gatilho, se a inflação de março ficar em apenas 3,4%, o que acumulará de novo os 20% da escala móvel, que seria acionada pela terceira vez (JB).