O embaixador dos Brasil nos Estados Unidos, Rubens Ricúpero, está convencido de que a nova administração norte-americana não será balizada pelo protecionismo e que dificilmente usará a Super 301 como retaliação pela falta de uma legislação que proteja a propriedade intelectual e os segredos tecnológicos das empresas estrangeiras que operam no país. O diplomata não demonstra o mesmo otimismo, porém, quando trata da disposição do Brasil de integrar-se de modo competitivo e vantajoso no novo quadro internacional. Em documento apresentado ao Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial, de São Paulo, na semana passada, Ricúpero lamenta o que vê como indefinição persistente em relação ao tipo de país que o Brasil
72488 gostaria de ser no futuro, o que ""retarda e entorpece as escolhas, inclusive legislativas" entre projetos de proteção à indústria e as exigências para integrar-se na globalização por que passa a economia mundial. Ele menciona as hesitações brasileiras quanto à proteção da propriedade intelectual (colocada como condição prévia para transferir tecnologia ao país pelas empresas multinacionais), ao grau de garantia ao investimento estrangeiro e à abertura do setor de telecomunicações, serviços bancários e seguros como indícios da indefinição brasileira. A reforma da Constituição poderia ser a oportunidade para traçar a integração do Brasil à economia mundial, mas para o embaixador-- que foi negociador do Brasil no GATT durante vários anos e chegou a ser considerado para ocupar a pasta da Economia em 1991-- falta um modelo de desenvolvimento consistente como aqueles implementados pela China, México, Chile ou Agentina. O diplomata brasileiro adota uma versão própria das teorias que tratam os países de grandes dimensões, como Rússsia, China, Índia e Brasil, como uma categoria própria, de economias tradicionalmente voltadas para o mercado interno, com exportações e importações não concentradas num mercado predominante (GM).