SENADO APROVA SEM EMENDAS CRIAÇÃO DO IMPOSTO DO CHEQUE

O Senado Federal aprovou ontem, em primeiro turno, a emenda constitucional do ajuste fiscal, sem nenhuma alteração. O ponto mais polêmico do projeto defendido pelo governo, a criação do IPMF (Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira), o imposto sobre cheques, não foi sequer destacado para a votação em separado e acabou aprovado logo no início da votação, junto com o texto global, com 66 votos a favor e oito contra-- distribuídos por dissidências isoladas no PTB, PMDB, PFL e PDS. O presidente da FIESP, Carlos Eduardo Moreira Ferreira, presente à votação, disse que os empresários e trabalhadores tentarão mudar o quadro até a votação do segundo turno, marcada para nove de março. Para Moreira Ferreira, a redução do prazo de vigência do IPMF já seria um avanço. Mas ele propõe a antecipação da revisão constitucional, de outubro para maio deste ano, caso o novo tributo seja realmente implantado. O presidente da Força Sindical, Luiz Antônio Medeiros, também presente à votação, disse que trabalhará ao máximo para mobilizar os trabalhadores contra a criação do IPMF, se necessário até convocando greves. O Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ enviou documento ao senador Eduardo Suplicy (PT-SP) em apoio ao IPMF. Assinado pelo sociólogo e secretário- executivo do IBASE, Herbert de Souza, e pelos físicos Ênio Candotti, da SBPC, e Luiz Pinguelli Rosa, da COPPE/UFRJ-- que se dizem "preocupados com a intensa campanha" contra o novo imposto--, o documento manifesta o apoio do Fórum à vigência provisória do tributo, Iniciativa correta no esforço de abrir caminhos que garantam maior justiça tributária no país", e defende com a máxima urgência profunda reforma fiscal, "mais justa e equitativa" (FSP) (GM) (JB).